Saturday, December 5, 2020

Minicurso de Metodologia Quantitativa

Nos dias 2, 3 e 4 de dezembro de 2020, ministrei um minicurso online de Metodologia Quantitativa como atividade do Programa de Educação Tutorial do Curso de Ciências Sociais da Universidade Federal do Ceará. Clique nos links abaixo para assistir os vídeos e baixar os slides apresentados:

Conteúdo

Aula 1

  • Introdução
  • Manipulação de banco de dados
    • Conceitos básicos
    • Recodificação e criação de índices
  • Estatística descritiva
    • Variáveis categóricas
    • Variáveis numéricas
  • Qui-Quadrado
    • Tabela de contingência
    • Cálculo do Qui-Quadrado

Aula 2

  • Distribuição normal e inferência estatística
  • Correlação
  • Análise de componentes principais
  • Análise de regressão

Aula 3

  • Complemento à Aula 2
  • Elaboração de questões
    • Operacionalização de conceitos
    • Elaboração de perguntas
  • Pré-teste
    • Pré-teste convencional
    • Perguntas cognitivas
  • Aplicação do questionário

Dicas de leitura

CERVI, Emerson U. Manual de métodos quantitativos para iniciantes em Ciência Política. Curitiba: CPOP, 2017. Volume 1.

CERVI, Emerson U. Manual de métodos quantitativos para iniciantes em Ciência Política. Curitiba: CPOP, 2019. Volume 2.

FIGUEIREDO FILHO, Dalson; SILVA JÚNIOR, José Alexandre da. Desvendando os mistérios do coeficiente de correlação de Pearson (r). Revista Política Hoje, v. 18, n. 1, p. 115-146, 2009.

FIGUEIREDO FILHO, Dalson Britto et. al. Análise fatorial garantida ou o seu dinheiro de volta: uma introdução à redução de dados. Revista Eletrônica de Ciência Política, v. 5, n. 2, 2014.

FIGUEIREDO FILHO, Dalson et al. O que fazer e o que não fazer com a regressão: pressupostos e aplicações do modelo linear de Mínimos Quadrados Ordinários (MQO). Revista Política Hoje, v. 20, n. 1, p. 44-99, 2011.

Friday, October 2, 2020

Ciência Política Contemporânea para Alunos de Graduação

Com a pandemia de covid-19, as aulas presenciais na Universidade Federal do Ceará foram suspensas em março e foram retomadas somente em agosto, em modo remoto. Eu tive que preparar vídeos para os alunos da disciplina que estava ministrando e resolvi disponibilizar o material para o público em geral, usando o Youtube como plataforma para compartilhamento dos vídeos. Foram 10 vídeos, alguns de revisão do conteúdo trabalhados no período presencial e outros com o tema da semana, todos publicados entre agosto e outubro de 2020:

Espero que os vídeos sejam úteis para alunos do ensino médio que gostariam de ver uma amostra do que é estudado no curso de graduação em ciências e para qualquer pessoa que tenha curiosidade sobre o que se passa nas universidades públicas. Para mim, foi também uma oportunidade para aprender o básico da produção de material em um formato que ocupa cada vez mais espaço nas estratégias de aprendizado dos estudantes.

Saturday, June 1, 2019

Tentativa de Pesquisa na Manifestação do dia 26/05/2019

No 22/05/2019, vi postagem no Facebook da professora Mara Telles convidando voluntários para participação na aplicação, em Belo Horizonte, de questionários na manifestação que ocorreria no dia 26 e perguntei a ela se não poderíamos aplicar o mesmo questionário em Fortaleza para podermos comparar o perfil dos manifestantes das duas cidades. Ela me informou que a pesquisa seria realizada em parceria entre a Agência PRESS e o grupo de pesquisa coordenado por ela e nos autorizou a participar.

Eu fiz convite semelhante em grupo fechado do curso de graduação em ciências sociais e marquei uma reunião de treinamento para sexta-feira, às 16h. Para garantir uniformidade na metodologia de aplicação dos questionários, contamos com a participação de integrantes do grupo de pesquisas coordenado pela professora Mara Telles na reunião. Vinte e três alunos participaram do treinamento.

Nosso objetivo era traçar um perfil dos manifestantes. O questionário continha, entre outras, várias perguntas e afirmações baseadas em postagens de grupos de apoiadores de Jair Bolsonaro. A aplicação bem sucedida do questionário permitiria saber quais dessas afirmações têm maior apoio e quais têm apoio apenas em alguns segmentos dos manifestantes.

Nossa estratégia foi nos dividirmos em dois grupos. Um primeiro grupo de seis alunos, sob minha coordenação, foi para a concentração da carreata que sairia da Avenida Pontes Vieira. Quando os manifestantes começaram a chegar, os pesquisadores iniciaram seu trabalho de se aproximar dos manifestantes e perguntar se concordavam em ser entrevistados. Quando algumas pessoas que pareciam ser organizadoras do evento perceberam que estavam ocorrendo entrevistas, elas se aproximaram dos entrevistados e os orientaram a não concederem entrevista porque nosso objetivo seria deturpar suas palavras. Alguns manifestantes seguiram as orientações das suas lideranças e se recusaram a ser entrevistados, mas outros queriam dizer o que pensavam. A minha estratégia nesse momento foi me posicionar entre as lideranças e as pessoas em situação de entrevista para que o encarregado de esclarecer o propósito da pesquisa às lideranças fosse eu, ficando os entrevistadores livres para continuar seu trabalho.

Devido à parceria com a Agência PRESS, e por já antecipar que não seríamos bem-vindos, optamos por nos apresentar em nome da Agência PRESS, organização para a qual, de fato, estávamos trabalhando pois os dados que coletássemos seriam da agência e não nossos. Uma das lideranças da manifestação perguntou se eu era de universidade. Eu respondi que sim. De qual? Da UFC. Qual curso? Ciências Sociais. É professor? Sim. Eles ficaram sem ter do que me acusar e minha conversa com eles se concentrou na explicação da metodologia da pesquisa: tratava-se de um questionário com perguntas fechadas e, portanto, os entrevistados iriam apenas selecionar algumas opções de resposta, não havendo o que deturpar. Não podíamos entregar uma cópia do questionário para as lideranças o avaliarem porque as respostas que as pessoas dão a questões que ouvem pela primeira vez é diferente da resposta a questões já conhecidas, etc… Enquanto eu conversava animadamente com as lideranças e posava para fotos que seriam enviadas para Brasília, um questionário foi rasgado por uma entrevistada e outro rasgou os cartões de resposta, mas, mesmo assim, os entrevistadores conseguiram completar a aplicação de 18 questionários graças à colaboração de manifestantes que queriam ter suas opiniões conhecidas e compreendidas.

Quando a carreata saiu em desfile pela cidade, fui deixar os questionários já preenchidos em casa para que fosse iniciada a digitação dos dados. Quando cheguei à Praça Portugal. A professora Monalisa Soares havia tentado usar na praça os mesmos argumentos que eu havia usado na concentração da carreata. Mas lá o número de pessoas era maior, assim como eram mais intensos e frequentes os avisos no carro de som de que um pessoal da UFC, inimigo do Bolsonaro, estava realizando uma pesquisa falsa com o objetivo de prejudicar seu ídolo. A grande maioria dos manifestantes era pacífica e estava presente com a família, avós, filhos, etc. Mas alguns mais exaltados pelo discurso inflamado emitido a partir do carro de som ameaçavam matar os infiltrados da UNE que faziam pesquisa falsa e dois manifestantes avisaram a uma entrevistadora que ela deveria sair dali se não quisesse ser estuprada. Isso deixou uma parte da equipe em pânico e a outra parte ocupada em acalmar quem estava com medo. O resultado foi que conseguimos aplicar apenas mais 28 questionários, a maioria nas ruas próximas e não na praça em si.

As figuras abaixo mostram os resultados da pesquisa que tentamos realizar no dia 26/05 durante as manifestações a favor do Governo Bolsonaro. Foram aplicados 18 questionários na concentração da carreata que saiu da Avenida Pontes Vieira e 28 questionários na Praça Portugal ou em suas proximidades.

Os resultados não são representativos da população de manifestantes e não são estatisticamente significativos porque a pesquisa foi interrompida por ameaças às pesquisadoras e aos pesquisadores. Os resultados refletem a opinião das pessoas que não ouviram a orientação das lideranças de que não concedessem entrevistas ou que, mesmo ouvindo essa orientação, insistiram que queriam e que tinham o direito de serem ouvidas.

Pelo menos uma pessoa entrevistada estava na manifestação acompanhando o cônjuge e não apoiando o Governo Bolsonaro, o que explica alguém ter votado em Haddad na questão P5.





















































































Extração de coordenadas de documentos oficiais para adicionar dados ao OpenStreetMap

Alguns documentos oficiais incluem as coordenadas dos pontos que definem os limites da área sendo demarcada. É o caso de muitos decretos de ...